Gozo Necrofílico
Criminologia

Gozo Necrofílico


Interpretar as reações do público consumidor do sistema penal é uma das funções da Criminologia (crítica).
Mas é triste ver esta espécie de gozo necrofílico - a expressão é do psicanalista Charles Melman, utilizada na obra "O Homem sem Gravidade" -, do senso comum em relação ao excessivo tempo de condenação de uma pessoa ao cárcere, mesmo sendo a pena decorrência de um juízo condenatório aparentemente justo em face da prática de um crime bárbaro. Refiro, logicamente, o caso Eloá. 
Infelizmente a incorporação do punitivismo faz com que as pessoas tenham prazer (gozo) com a barbárie. E este gozo não é apenas com a rigidez da condenação. É um gozo irrestrito com todas as formas de violência: a violência da crueldade da pena e a violência bárbara do delito. 
Sob a máscara hipócrita da proteção da vítima, o julgamento e o delito foram transformados em espetáculos mórbidos, consumidos naturalmente pelas pessoas ordeiras na sala de jantar, enquanto deixavam soltos os leões e os tigres no quintal. Tudo em nome da satisfação orgástica da horda (platéia geralmente anônima), ocupada em nascer e fazer morrer.





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